Inox 316 vs 304 para varandas frente-mar: a diferença que enferruja
Recebemos esta chamada várias vezes por ano, sempre com o mesmo tom de quem foi enganado: "o corrimão tem dois anos e está cheio de pontos de ferrugem — mas disseram-me que era inox!". Quase sempre era inox. Era inox 304. E a 300 metros do mar, o 304 não tinha hipótese.
A diferença entre 304 e 316 são duas letras e dois números no orçamento. Na varanda virada ao Atlântico, é a diferença entre aço impecável aos 15 anos e uma peça a manchar no primeiro inverno.
O que separa o 304 do 316: um elemento
Ambos são aços inoxidáveis austeníticos. A diferença decisiva chama-se molibdénio:
| Liga | Crómio | Níquel | Molibdénio |
|---|---|---|---|
| AISI 304 | ~18% | ~8% | 0% |
| AISI 316 | ~16% | ~10% | 2–3% |
O crómio dá a ambos a camada passiva — aquele filme invisível de óxido que "fecha" a superfície e impede a ferrugem. O problema é que o ião cloreto (Cl⁻), abundante no sal marinho, é especialista em furar essa camada localmente. Quando fura, começa a corrosão por picada: pequenos pontos que crescem para dentro do metal.
O molibdénio do 316 reforça a camada passiva precisamente contra o cloreto. Não é "um bocadinho melhor": é a diferença entre resistir e não resistir a maresia.
Porque é que no Algarve isto não é discutível
O litoral algarvio combina três agressões ao mesmo tempo: maresia salina constante, humidade alta e sol intenso que aquece o metal e acelera reações. Numa varanda de primeira linha em Lagos ou Vilamoura, um corrimão 304 começa a picar em 6 a 12 meses. Em segunda linha, ganha-se um ou dois anos — e perde-se na mesma.
Regra que aplicamos sem exceção: dentro de 1 a 2 km do mar, ou em qualquer ponto exposto a vento salino, é 316. Nunca propomos 304 em obra costeira — nem que o cliente peça para poupar. O barato sai duas vezes, e da segunda paga-se o aço novo e a desmontagem.
O 316 sozinho não chega: a soldadura conta tanto como a liga
Pode comprar-se o melhor tubo 316 do mercado e arruiná-lo na bancada. Os erros que vemos em trabalho de terceiros:
- Soldadura sem proteção gasosa adequada — o cordão oxida, fica com casca escura e perde resistência à corrosão exatamente na zona soldada. É lá que a ferrugem aparece primeiro.
- Contaminação por ferro — usar a mesma rebarbadora ou escova de aço-carbono no inox deixa partículas de ferro incrustadas. Essas partículas enferrujam e parece que o inox falhou.
- Falta de decapagem/passivação — após soldar, a zona deve ser tratada para reconstruir a camada passiva. Saltar este passo é comum em trabalho apressado.
Por isto trabalhamos sempre com soldadura TIG (Tungsten Inert Gas) com gás de proteção, ferramenta dedicada só a inox, e acabamento esmerilado e passivado. Cumprimos a norma EN 1090 para estruturas. A liga certa mal soldada não é melhor que a liga errada.
O teste do íman não serve (e o que serve)
Há a lenda de que "se o íman não pega, é 316". Falso. O 304 recozido também é praticamente não-magnético; e o 316 pode ficar ligeiramente magnético depois de trabalhado a frio. O íman não distingue as duas ligas de forma fiável.
O que realmente o protege:
- Certificado de material do fornecedor do tubo (informe de colada / mill certificate).
- Fatura que identifica a liga — "AISI 316" escrito, não apenas "inox".
- Garantia escrita contra corrosão — a nossa é de 10 anos em zona costeira. Quem usa 304 não dá esta garantia, porque sabe que não aguenta.
"Mas o meu 316 tem manchas castanhas"
Quase sempre não é corrosão do inox — é contaminação superficial por ferro: pó de uma obra vizinha, limalha que assentou, água que escorreu de um gradeamento pintado. Esse ferro estranho enferruja à superfície e mancha o inox sem o atacar. Sai com pano húmido e, nos casos mais teimosos, com um produto de limpeza próprio para inox. Corrosão verdadeira do 316 em ambiente residencial costeiro é rara quando o material e a soldadura estão certos.
Manutenção: quase nenhuma
Esta é a parte boa. Um corrimão 316 bem feito praticamente não dá trabalho:
- 2 lavagens por ano com água doce e detergente neutro, em geral.
- Primeira linha de mar: um pano húmido uma vez por mês remove o sal antes de ele se concentrar. Cinco minutos.
- Nunca usar palha-de-aço comum nem produtos com cloro/lixívia — risca a superfície e introduz exatamente o ião que se quer evitar.
Feito com 316 e mantido assim, um corrimão frente-mar dura décadas com o mesmo aspeto. É por isso que, em Vilamoura, Quinta do Lago e Lagos, só propomos 316 — e damos a garantia por escrito.
Conclusão
304 e 316 parecem iguais no dia da instalação. Aos dois invernos, deixam de parecer. Em zona costeira do Algarve a escolha não é técnica — é entre fazer uma vez ou fazer duas. Peça sempre o certificado, a liga na fatura e a garantia escrita. Se o orçamento não diz "316", não é uma poupança: é uma fatura adiada.
Corrimão ou estrutura frente-mar?
Só trabalhamos inox 316 marítimo em zona costeira. Garantia escrita de 10 anos contra corrosão. Visita técnica gratuita.
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