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Inox 316 vs 304 para varandas frente-mar: a diferença que enferruja

📅 15 maio 2026 · ⏱ 8 min de leitura · ✍️ Carlos Carrondo

Recebemos esta chamada várias vezes por ano, sempre com o mesmo tom de quem foi enganado: "o corrimão tem dois anos e está cheio de pontos de ferrugem — mas disseram-me que era inox!". Quase sempre era inox. Era inox 304. E a 300 metros do mar, o 304 não tinha hipótese.

A diferença entre 304 e 316 são duas letras e dois números no orçamento. Na varanda virada ao Atlântico, é a diferença entre aço impecável aos 15 anos e uma peça a manchar no primeiro inverno.

O que separa o 304 do 316: um elemento

Ambos são aços inoxidáveis austeníticos. A diferença decisiva chama-se molibdénio:

LigaCrómioNíquelMolibdénio
AISI 304~18%~8%0%
AISI 316~16%~10%2–3%

O crómio dá a ambos a camada passiva — aquele filme invisível de óxido que "fecha" a superfície e impede a ferrugem. O problema é que o ião cloreto (Cl⁻), abundante no sal marinho, é especialista em furar essa camada localmente. Quando fura, começa a corrosão por picada: pequenos pontos que crescem para dentro do metal.

O molibdénio do 316 reforça a camada passiva precisamente contra o cloreto. Não é "um bocadinho melhor": é a diferença entre resistir e não resistir a maresia.

Porque é que no Algarve isto não é discutível

O litoral algarvio combina três agressões ao mesmo tempo: maresia salina constante, humidade alta e sol intenso que aquece o metal e acelera reações. Numa varanda de primeira linha em Lagos ou Vilamoura, um corrimão 304 começa a picar em 6 a 12 meses. Em segunda linha, ganha-se um ou dois anos — e perde-se na mesma.

Regra que aplicamos sem exceção: dentro de 1 a 2 km do mar, ou em qualquer ponto exposto a vento salino, é 316. Nunca propomos 304 em obra costeira — nem que o cliente peça para poupar. O barato sai duas vezes, e da segunda paga-se o aço novo e a desmontagem.

O 316 sozinho não chega: a soldadura conta tanto como a liga

Pode comprar-se o melhor tubo 316 do mercado e arruiná-lo na bancada. Os erros que vemos em trabalho de terceiros:

Por isto trabalhamos sempre com soldadura TIG (Tungsten Inert Gas) com gás de proteção, ferramenta dedicada só a inox, e acabamento esmerilado e passivado. Cumprimos a norma EN 1090 para estruturas. A liga certa mal soldada não é melhor que a liga errada.

O teste do íman não serve (e o que serve)

Há a lenda de que "se o íman não pega, é 316". Falso. O 304 recozido também é praticamente não-magnético; e o 316 pode ficar ligeiramente magnético depois de trabalhado a frio. O íman não distingue as duas ligas de forma fiável.

O que realmente o protege:

"Mas o meu 316 tem manchas castanhas"

Quase sempre não é corrosão do inox — é contaminação superficial por ferro: pó de uma obra vizinha, limalha que assentou, água que escorreu de um gradeamento pintado. Esse ferro estranho enferruja à superfície e mancha o inox sem o atacar. Sai com pano húmido e, nos casos mais teimosos, com um produto de limpeza próprio para inox. Corrosão verdadeira do 316 em ambiente residencial costeiro é rara quando o material e a soldadura estão certos.

Manutenção: quase nenhuma

Esta é a parte boa. Um corrimão 316 bem feito praticamente não dá trabalho:

Feito com 316 e mantido assim, um corrimão frente-mar dura décadas com o mesmo aspeto. É por isso que, em Vilamoura, Quinta do Lago e Lagos, só propomos 316 — e damos a garantia por escrito.

Conclusão

304 e 316 parecem iguais no dia da instalação. Aos dois invernos, deixam de parecer. Em zona costeira do Algarve a escolha não é técnica — é entre fazer uma vez ou fazer duas. Peça sempre o certificado, a liga na fatura e a garantia escrita. Se o orçamento não diz "316", não é uma poupança: é uma fatura adiada.

Corrimão ou estrutura frente-mar?

Só trabalhamos inox 316 marítimo em zona costeira. Garantia escrita de 10 anos contra corrosão. Visita técnica gratuita.

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